jair beirola

9.3.05

Marta

Ontem aconteceu aquele encontro com a dona do cabelo colorido. Liguei do escritório para dona Judite e pedi que ela providenciasse champanhe.

"Hoje vai ter safadeza, né seu Jair?". Puta merda, como se mete na minha vida essa empregada filha da puta.

Recebi Marta - esse é o nome da coroa - ao som de uma coletânea de música brasileira dos anos 40 e 50. Queria deixá-la à vontade. A coletânea era daquelas que vêm encartadas em revistas, sabe como é? Tenho várias dessas coleções, são super práticas para você fazer o tipo eclético com a mulherada. Sempre me rendeu bons frutos (boas xotas, falando no popular).

Bom, tava lá o Lupinício Rodrigues fazendo bonito e a vovó já começou a reclamar.

"Bota um Led Zeppelin aí. Que coisa mais de velho esse som que tá tocando!"
"Meus Led Zeppelin estão emprestados. Tem um Creedence, vai?"
"Ah, tá bom, é a mesma merda.", disse desdenhando, enquanto já metia a mão no balde da champanhe.

Sssssploc!

"Meu segundo marido adorava champanhe. Minha casa era quase um depósito de Veuve Clicquot."
"O Chandon aí te ofende?"
"Não, querido, já bebi coisas piores. Tim-tim."

Apaguei a decoração de velas, tirei o som e coloquei um pornô. A velha deu um sorriso e começou um papo estranhíssimo sobre osteoporose, tatuagens e leite de fazenda. Não dei muita atenção e botei o pau pra fora, assim como não quer nada.

* * *

Corta pro momento em que finalmente consegui convencê-la a tirar a roupa, meia hora mais tarde.

* * *

Depois que consegui vencer os duzentos gramas de carne flácida que separavam os lábios externos da entrada da buceta, comecei a função. Linguada caprichada na carne rosada e rola pra dentro.

Foi aí que começou a confusão.

A velha gritava mais que porco na faca. O interfone começou a tocar quase que instantaneamente, confirmando o mau presságio que eu tivera logo que empurrei o palhaço gruta adentro. Não dei bola e continuei o massacre.

Até que a campainha tocou. Me enrolei numa toalha e fui atender, já imaginando que teria que encarar a síndica portadora do saco roxo. Não era a síndica, era o vizinho, que já foi se enfiando sala adentro sem pedir licença. Não entendi picas.

"Marta, é você mesmo!"
"Roberto! Não acredito!"
"Te reconheci pela voz, minha querida."

Fiquei de pau na mão, enquanto acompanhava incrédulo o reencontro do vizinho com sua velha amiga. A amiga pelada, as pelancas ameaçando se esparramarem por toda a sala, e o vizinho de regata, bermuda, meia social e chinelo rider, já de taça na mão.

"Tem mais champanhe aí? Traz pra nós.", disse sem nem me olhar, apenas erguendo a garrafa vazia. "Há quanto tempo, Marta! Deve ter o que?, uns vinte anos? Mais!"
"Nossa, Roberto, e você não mudou nada!"

E sentaram-se no sofá, ele vestido, ela nua, como se estivessem numa reunião social qualquer. Pedi licença, trouxe outra garrafa de champanhe para os convidados e me recolhi ao quarto. Tirei a nhaca na mão e dormi um sono profundo, pelado.

Acordei na manhã seguinte com dona Judite berrando.

"Seu Jair, o que é isso? Abro a porta do quarto e encontro o senhor com essa bunda pelada pra cima? O senhor me respeite!"